4 de dezembro de 2009

"estado crônico: dedicado ao mundo"

No mundo das incertezas, senti vontade de ser mais e ofereci a mão ao próprio mundo. Ele pediu o braço. Sem pensar, entreguei meu corpo (a alma não, porque nem sei mais se ela ainda me pertence). Acabado o favor, voltei para casa e liguei a tv:

Acidente de carro em algum lugar. Uma vítima, um homem.

“Lá se vai a morte dando outra carona, espero que o velório seja animado!”, pensei. Sou mórbido, sem filhos nesse mundo que me exige, sozinho em minhas entranhas, tão mal aparentado quanto mal atendido no desejo de dormir. Cansado todos somos, já que viver cansa, mas dormir, isso sim é uma grande vitória. Fui à cozinha, não havia uma cerveja sequer na geladeira.

“Tenho que tirar essa barba escrota!”, obriguei-me e fui lixar o rosto em nome do mundo que me exige a casca “limpa”. Um segredo: vestir-me assim ou assado não me importa, por mais que pareça, mas não apareça mal vestido ao meu lado, mundo!

Telefone não toca, até atenderia. Só um ombro, um convite. Um ombro que acolhesse meus sentidos tolos, minha sensação de vazio que me acomete duas ou três vezes por ano. Um ombro em nome das lágrimas que nem sobraram depois de tudo que o mundo me exigiu.

No silêncio de uma noite sozinho, ouvi meu peito bater e me assustei: após cada batida, a outra parecia que nunca iria chegar. E se não chegasse? O mundo, esse de incertezas (além da única, a derradeira, a nefasta, a não-vida) me disse "conte comigo" e quando houve a necessidade de um ombro, contentei-me apenas com o travesseiro.

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Da série "estado crônico"

30 de novembro de 2009

"estado crônico: outonal inverno"


Geralmente é assim que as coisas acontecem: você entra num turbilhão de coisas e quando percebeu, está desaparecendo. Já vivi isso, é comum, mas não é normal, porque ser normal é justamente, não ser comum, por essas bandas.

Era tarde e fazia frio, um frio úmido, um frio nem tão gelado para quem que corria pelo descampado. Um frio solitário talvez, mesmo que acompanhado por uma rajada de vento que trazia folhas mortas do outono e a sensação de que esse inverno latente não perdoaria ninguém. E não perdoou...
Logo após a longa corrida pelo descampado, chegou onde queria: um velho poço que abastecia uma velha fazenda que nem existia mais. A tarde nublada não permitiria que ele conseguisse distinguir algo além da escuridão, ao olhar para dentro do poço, mas mesmo assim, ele o fez e mesmo assim ele conseguiu enxergar algo.
Viu alguns anos que haviam passado desde a sua última visita ao local, no dia que se irmão mais jovem ali caiu e se foi. Viu a saudade, o desalento, a solidão. Viu, através de sua visão periférica, o mundo de outra época voltar e mesmo assim continuou a encarar a escuridão. Ali, viu afinal a si mesmo, de forma única e se perdeu por minutos.
Então, um raio corta a escuridão e um trovão quebra o silêncio. Ele volta a si, mas percebe que talvez, não exista mais ele, poço, descampado ou o mundo. Percebe que tudo se esvai, se esfacela, se encerra em si mesmo, de dentro pra fora. Nota suas mãos sumindo, seus braços embaçando, o mundo e ele mesmo se tornando um quadro manchado pela chuva que começa a cair, no fim da tarde do último inverno que teve coragem de correr por aqueles descampados, antes de desaparecer.

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Da série "estado crônico"

"desate o nó..."

Não curto muito esse lance de querer parecer intelectual ou coisa do tipo...
Gosto do que eu gosto simplesmente porque soa bem aos meus ouvidos: seja glam farofa, brega, thrash metal, punk rock, heavy metal, samba ou simplesmente rock n roll...
Enfim, só falo isso porque houve uma época que ser "descolado-cool-sou-intelectual" era ouvir Engenheiros do Hawaii... eu simplesmente ouvia, e não ficava me masturbando mentalmente como essas figuras que lêem resumos na internet (salve wikipedia e wikiquote!) e dizem que adoram tal autor... Às vezes, parece tão difícil assumir que não se leu um livro ou que Chico Buarque é um péssimo interprete, apesar de um excelente compositor (ainda que prefira Oswaldo Montenegro ou Belchior)...
Acho que fui meio iconoclasta, mas, fazer o que, não?!


ando só...

28 de novembro de 2009

"don't stop..."

Hold on to the feelin'
Streetlights people oh oh oh!!!

21 de novembro de 2009

...


rá!

19 de novembro de 2009

"meldels!"

Mais um oferecimento da
Escola Iran "Hassan" Monte de interpretação Global:
com o nosso time, você vai da Malhação à novela das 8!

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Não sabe quem é o graaaaaande Iran?

27 de outubro de 2009

"estado crônico: coração aberto"

Ele era um cara fechado, avesso a demonstrações de carinho por pessoas do mesmo sexo, como todo bom homem nascido durante a ditadura e filho de militar. Contudo, naquele momento ele sentiu que vivia algo especial, e olhando para o próprio filho de menos de 1 ano, falou:
“Filho, desculpa a ausência eterna que sou como pai. Desculpa tudo isso que aconteceu desde que você veio ao mundo, mas foi por não saber o que fazer ou como fazer. Você é minha obra de arte. Você é o melhor livro que já escrevi, minha melhor música, a melhor escultura algum dia feita por mim. Você é parte de mim e não falo de DNA ou coisa do tipo. Você parece extraído de minha infância, parece algo puro como eu fui um dia, diferente desse ser conflitante que sou hoje em dia. Você é uma obra de arte, por mais que não me considere um artista. Você é um milagre, mesmo que eu saiba que não sou nenhum deus. Você é eterno, garoto. Pra sempre!”
Com as lágrimas rolando pelo rosto, ele beijou a face da criança. Logo sua esposa o afastou e então, o caixão foi fechado.
Ele realmente não sabia dizer “adeus”.

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Da série "estado crônico"

23 de outubro de 2009

"extra! extra!"

Essa é sobre Rafinha Bastos, um integrantes do mais inteligente programa da TV brasileira, CQC. Ou melhor, é sobre a mulher dele e o fato dele tê-la flagrado no momento que ela estava sem calcinha!
Clique aqui e siga o flagrante!

...and hey, follow me too: @renatorios

21 de outubro de 2009

"21th Century Breakdown"


Apesar da grande quantidade de músicos que basearam suas letras em conflitos sociais, poucos foram aqueles que de certa forma deram voz à América. O conceito de América aqui não se restringe ao mais rico país do continente, já que o próprio conceito aponta para as classes subalternas e menos hegemônicas do sistema político-econômico vigente. América não se restringe geograficamente, e num mundo de comunicação em alta velocidade e massificação dos sentimentos, esse conceito substitui o que anteriormente se conhecia como Ocidente.

Retomando a ideia original, poucos foram os que conseguiram dar voz a massa que é expropriada de suas vontades e, ao mesmo tempo, conseguiram um alcance que não é digno apenas do nosso mundo globalizado, mas também da qualidade musical a que se propuseram.

Dentre essas vozes que se incluem Bruce Springsteen e Tom Petty, há uma que me chama a atenção. Apesar de alguns anos de estrada, os caras do Green Day vêm, provando disco após disco, que eles podem fazer parte desse seleto grupo. O impacto das letras, melodias e do visual é fundamental para entender o homem (principalmente o jovem homem criado na era Nixon) que adentra ao século XXI, com suas preocupações, angústias e incertezas. Somos os fragmentos do que nossos pais desejaram que fôssemos.

Tendo lançado seu oitavo disco, o trio da Califórnia, lança agora o segundo vídeo, extraído desse albúm com o mesmo diretor de 21 guns e, anteriormente, Waiting, Marc Webb e arrisco-me a dizer: qualquer bandinha de rock “despretensioso” da atualidade poderia fazer algo que se assemelhasse com 21th Century Breakdown, mas só com o Green Day música e imagem fariam tanto sentido, numa construção paradoxal entre beleza e horror!


Update: infelizmente o vídeo foi tirado do youtube e ainda não foi disponibilizado pelos canais oficiais da gravadora ou da banda!

Logo que estiver disponível, eu dou uma embedada ou ponho o link para o vídeo!

20 de outubro de 2009

"estado crônico: segundo sonho"

por Campos de Carvalho

Estou no palco sozinho.

Sei que a peça vai começar daí a instantes, mas ignoro completamente meu papel, o que tenho a fazer e sobretudo a dizer.

O script está na minha mão, mas não consigo lê-lo: as letras se embaralham e o sentido do texto muda sem que haja qualquer concatenação. Tenho a vaga idéia de que um casal (dois atores famosos e tarimbados) deve chegar a qualquer momento e então eu terei que dirigir-lhes a palavra e começar a atuar.

Pela janela vejo dois vultos suspeitos tramando alguma coisa e num deles reconheço o ator com quem contracenarei.

O casal logo depois entra no palco, sem se anunciar, e eu, no desespero, chego a pedir que espere que eu leia ao menos as primeiras palavras do meu papel.

A cortina se levanta e eu decido improvisar tudo em tom humorístico e sem sentido.
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Um outro texto, uma outra história que precisava ser contada!